domingo, 25 de maio de 2025

Perdido

Escuridão da madrugada. Num cabaré perdido no meio do nada Nelson Gonçalves alegrava a loucura daquela noite com a vitrola que não parava.
Uma puta arrependida corria pelada sem destino pelo terreiro do velho casarão e eu atrás tentando pega-la até que numa coluna ela se agarrou e então tudo aconteceu com um gramado servindo para que o céu desabasse sobre nós. A música não parava.
Éramos dois malucos embriagados num embalo que começará em Icaraí e na verdade eu não sabia de mais nada.
Vi o sol forte na minha cara e logo ali, no meio da estrada, um cachorro procurava não sei o que, assim como eu, jogado quase meio dia, sozinho, perdido.
Meu amigo fora embora. Eu então comecei a caminhar seguindo sem destino.
Estrada com cascalho fazia um ruído forte com o caminhão se aproximando; pedi carona com o braço e ele brecou forte e parou bem dez metros a frente. - onde vai? gritou. -Rio. -sobe aí. E lá fui eu, na caçamba,de pé com o maior vento na cara .O cara me largou na Candelária. Entrei e rezei.

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